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sábado, 30 de Agosto de 2014

IMAGENS INÉDITAS EM MOÇAMBIQUE DA RENAMO - 1986/1987

MACUA DE MOÇAMBIQUE e MOÇAMBIQUE PARA TODOS, graças à oferta de um amigo, apresenta vídeos inéditos sobre a RENAMO enquanto "movimento de guerrilha" em Moçambique.
NOTA: Chama-se a atenção de que, por motivos de formato original e qualidade da cassete, para uma melhor visão estão os vídeos apresentados em preto e branco, havendo algumas partes em que o som não estará perfeito, mas, no entanto, absolutamente audível. Alguns vídeos não estarão em toda a sua extensão. Grato pelo vossa compreensão, mas são documentos históricos. Quase todos são falados em inglês.
Verão nestas imagens uma outra face da RENAMO, quase desconhecida nas zonas urbanas de Moçambique e no mundo exterior. Verão Afonso Dlakama percorrer centenas de quilómetros no interior de Moçambique, montado na sua motorizada e praticamente sem guarda em locais identificados! Verão elementos da RENAMO atravessando rios do interior de Moçambique em botes com motor fora de borda. Verão populares, adultos e crianças, saudáveis e bem nutridos, em zonas da RENAMO. Verão HISTÓRIA, a que sempre se terá de retirar a sua percentagem de "propaganda", como é evidente, mas que, todavia, demonstra que a guerrilha pós-independência atingiu um estágio de avanço superior ao verificado durante a luta armada da independência nacional.
OS VÍDEOSPoderão demorar um pouco a abrir
Todos estes estão no formato .wmv
RENAMO - Inside Mozambique(1986) - 18M37S


Chester Crocker, campo de refugiados e Frelimo(1986) - 11M34S







RENAMO - MOZAMBIQUE TRIP(1986) - 1ª Parte - 54M34S

RENAMO - MOZAMBIQUE TRIP(1986) - 2ª Parte - 1H16M40S

RENAMO - THE FACTS (1987) - 30M04S

American Interests (posterior à morte de Samora Machel) - 28M32S

FANUEL MAHLUSA (TVM) (1998) - 57M35S





Que foi feito desta Renamo que tinha a Frelimo absolutamente derrotada e estava dentro da própria capital?


Palestina e Israel terão estabelecido acordo secreto? - Notícias - Internacional - Voz da Rússia

palestina, israel, faixa de gaza, abbas, netanyahu
Foto de arquivo
Foto de arquivo

As Forças de Defesa de Israel começaram a reduzir o número de tropas na fronteira com a Faixa de Gaza depois de alcançado um cessar-fogo com o Hamas, escreve o jornal israelense Yedioth Ahronoth. Se trata de tanques e de equipamentos de engenharia. No entanto, as tropas que se encontram na fronteira com o enclave palestino ainda estão em regime de prevenção.

Anteriormente o Hamas e Israel tinham atingido um acordo para um cessar-fogo prolongado e essa trégua ainda se mantém. Significará isso que este conflito armado já chegou ao fim? O analista político palestino Atef Abu Saif tem dúvidas:
“Os muitos anos de experiência de negociações com Israel demonstrou que Tel Aviv é muito hábil em contornar e esquivar-se às obrigações. Por isso a trégua na Faixa de Gaza deve ser considerada apenas temporária até vermos passos reais por parte das autoridades israelenses. Isso seria o levantamento do bloqueio, a abertura dos postos de passagem fronteiriços, o início do funcionamento do porto marítimo e do aeroporto, a libertação dos prisioneiros palestinos e muitas outras coisas. Mas por enquanto Tel Aviv está apenas protelando.”
Por seu lado, o ativista de direitos humanos israelense Israel Shamir tende a considerar o regime de cessar-fogo como duradouro:
“A população israelense está cansada do conflito. Não se trata tanto das vítimas, cujo número não é comparável ao das palestinas, evidentemente, quanto da permanente atmosfera de guerra. Sirenes, foguetes, evacuações – para a população civil tudo isso representa uma grande tensão. Por isso existem fundamentos para pensar que o governo israelense está interessado na manutenção de uma trégua duradoura, apresentando isso como uma vitória sua.
“Quanto aos resultados do conflito, podemos referir uma fortíssima radicalização da opinião pública israelense. Muitos agora defendem a eliminação da Faixa de Gaza da face da Terra. Nesse contexto, na cúpula israelense se está formando uma fortíssima oposição de direita ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Podíamos questionar se se poderia ser ainda mais de direita do que ele. No entanto, neste momento o chefe do gabinete de ministros é visto quase como uma figura liberal. Em perspetiva, isso não trará nada de bom.
“Entretanto os palestinos, segundo os meus dados, não ficaram perdendo. Algumas fontes informam da existência de um anexo secreto ao acordo de cessar-fogo em que Israel promete levantar o bloqueio, abrir os postos de fronteira e retirar suas tropas. Há um fato simples que fala a favor da existência desse anexo secreto: Netanyahu tentou esconder de seus ministros o texto do acordo com os palestinos. Contudo, graças aos esforços do ministro das Relações Exteriores Avigdor Lieberman, os membros do gabinete acabaram por lhe ter tido acesso. Isso provocou um grande escândalo no governo.”
Segundo escreve o jornal israelense Haaretz, citando a mídia jordana, dias antes da conclusão do acordo de cessar-fogo Mahmoud Abbas e Benjamin Netanyahu tinham realizado uma reunião secreta em Amã. A publicação não apresenta os pormenores desse encontro.

Rússia apela a que se dê tratamento humano às unidades ucranianas cercadas - Notícias - Internacional - Voz da Rússia

Ucrânia, Rússia, Putin, apoio humanitário

A Rússia apela aos milicianos do sudeste para que estes demonstrem misericórdia pelo inimigo vencido, prometendo apoio humanitário à população da bacia do Don.

Na noite de quinta para sexta-feira o presidente russo Vladimir Putin fez um apelo às milícias da Novorossiya: abrir um corredor humanitário para os militares ucranianos cercados poderem abandonar as zonas de combate.
“Eu apelo às forças milicianas que abram um corredor humanitário para os militares ucranianos cercados de forma a evitar vítimas inúteis, oferecer-lhes a possibilidade de abandonarem livremente a zona de combates, se reunirem às suas famílias, devolvê-los às suas mães, esposas e filhos e prestar cuidados médicos urgentes aos feridos resultantes dos combates”, refere a declaração.
“É evidente que as milícias alcançaram êxitos importantes no impedimento da operação militar de Kiev que constituía um perigo mortal para a população da bacia do Don e que já resultou em inúmeras vítimas civis. Em resultado das ações das milícias foi cercada uma grande quantidade de militares ucranianos que participam na operação militar, não de livre vontade, mas apenas cumprindo ordens.”
Tendo apelado à misericórdia, Vladimir Putin sublinhou que o lado russo, por seu turno, está disposto e irá prestar ajuda humanitária à população da bacia do Don que sofre uma situação de catástrofe humanitária.
Os milicianos responderam a esse apelo bastante depressa. O premiê da autoproclamada República Popular de Donetsk Alexander Zakharchenko anunciou a disponibilidade de criar um corredor humanitário para as unidades ucranianas cercadas, mas com a condição de estas entregarem o armamento pesado e munições. Entretanto, Zakharchenko sublinhou o caráter punitivo da operação realizada pelos militares ucranianos no leste do país:
“Todos estes meses a camarilha de Kiev utiliza contra os distritos de Donetsk e de Lugansk a tática de “terra queimada”, destrói instalações de fornecimento de gás, água e energia elétrica, as infraestruturas sociais e tenta semear o pânico e o medo entre a população civil. Mas eles não o conseguem.
“Nós nos preparamos durante muito tempo. Nós juntamos forças e finalmente contra-atacamos. Nós iremos continuar nossas operações de combate até que o último invasor abandone o nosso território.
“Para nós estas não são apenas operações militares. Para nós isto é uma luta pela sobrevivência. Para nós isto é uma operação militar humanitária. Um de seus objetivos principais é afastar o inimigo das nossas grandes cidades, impedi-lo de realizar bombardeamentos com artilharia e mísseis. Eles atacam-nos com tudo o que têm, indiscriminadamente. Eles não se importam com quem matam: sejam civis, velhos e mulheres, ou sejam militares. Nós iremos explicar que isso não se faz. Eu espero que eles compreendam muito rapidamente.”
É sintomático que a reação de Kiev à iniciativa de paz de Vladimir Putin se tenha limitado a acusações de ligação dos milicianos a Moscou. Entretanto, Kiev não apresentou, tal como anteriormente, quaisquer provas, se tendo limitado a fazer alegações.
Tudo indica que isso se deve à confusão provocada pela dificílima situação em que se viu o exército ucraniano no leste do país. Nos últimos dias ocorreu uma ofensiva fracassada dos militares ucranianos, operação que se tinha iniciado ainda na primeira metade de julho e que tinha como objetivo separar as repúblicas populares de Donetsk e de Lugansk da fronteira com a Rússia, bloqueando seguidamente ambas as capitais e fragmentando as repúblicas em bolsas de resistência dispersas.
Subestimar o adversário resultou em cerco. As unidades ucranianas cercadas cessaram a resistência organizada e começaram a se render, inclusive passando para o território da Rússia.
Na opinião dos peritos, a razão principal para os fracassos poderá ser considerada a degradação sistêmica das forças armadas ucranianas e a grave carência de infantaria treinada e suficientemente motivada à disposição do comando militar ucraniano. Nesse contexto Kiev anunciou a terceira vaga de mobilização e começou preparando a quarta.
Surgiram rumores sobre o envio para a zona de combates de unidades sem o perfil adequado, incluindo forças especiais da Marinha e destacamentos mistos de marinheiros e policiais. Está planejado o envio para a zona de combate de veículos blindados de terceira e quarta categoria de armazenamento e que foram fabricados nos anos 60-70.
As tropas ucranianas se concentraram em bombardear com artilharia e mísseis as cidades controladas pelas milícias, tendo de fato adotado uma tática de terrorismo, refere o vice-diretor do Instituto de Estudos Estratégicos, Mikhail Smolin:
“No contexto de um conflito como o que ocorre neste momento no leste da Ucrânia, a única esperança das autoridades ucranianas é envolver neste conflito os europeus ou, ainda melhor, os norte-americanos. Kiev quer transferir todo o peso da luta contra os rebeldes para as tropas da OTAN e o financiamento desse projeto para a União Europeia. Eu penso que isso resulta da anormalidade do Estado ucraniano, que se revela incapaz de responder aos desafios que lhe são apresentados pela História.”
Contudo, é em vão que Kiev deposita suas esperanças nos EUA. O presidente norte-americano Barack Obama excluiu mais uma vez uma intervenção militar dos EUA na resolução da crise ucraniana. Isso é totalmente compreensível: Obama não é louco. Assim, em Kiev terão de resolver o problema sozinhos, uma situação com que eles claramente não contavam.
Nesta situação, o mais racional seria cessar a operação, retirar as tropas e sentarem-se à mesa das negociações com as milícias. Tanto mais que a Rússia, que presta ao Sudeste da Ucrânia apoio moral, não está evidentemente interessada numa escalada da tensão na região e quer que o conflito seja resolvido pela via pacífica diplomática, e não através das armas e da morte de pessoas.

Putin: Kiev deve ser obrigado a negociar com o Leste do país - Notícias - Internacional - Voz da Rússia

Rússia, Ucrânia, Putin

Ao discursar no fórum da juventude Seliger 2014, o presidente da Rússia Vladimir Putin comparou as ações do exército ucraniano no Sudeste com os bombardeamentos de Leningrado durante a Segunda Guerra Mundial. De acordo com Putin, é preciso obrigar Kiev a iniciar negociações com os representantes do Leste do país.

A Rússia está longe de se envolver em quaisquer grandes conflitos. No entanto, o país está preparado para se defender de qualquer agressão e os parceiros devem entender que é melhor não se meterem com Moscou, referiu o presidente russo ao falar com os jovens no fórum Seliger.
Tudo indica que o Ocidente compreende isso, mas não totalmente. Mas por mais que Washington e as capitais europeias tentem desmentir seu envolvimento nos assuntos internos da Ucrânia, elas não conseguem escondê-lo, declarou Vladimir Putin:
“Os nossos parceiros ocidentais, se apoiando em elementos nacionalistas radicais, realizaram um golpe de Estado. Por muito que se diga, o apoio informativo e o apoio político representam o envolvimento total tanto dos países europeus, como dos Estados Unidos, nesse processo de mudança de poder – de uma mudança de poder violenta e anticonstitucional. Entretanto, a parte do país que com isso não concordou é reprimida pela força bruta militar – com utilização de aviões, de artilharia, de lançadores múltiplos de foguetes e de tanques. Se esses são os atuais valores europeus, eu fico extremamente desapontado.”
Moscou apelou por diversas vezes tanto Kiev, como Washington, para que estes iniciem negociações com os representantes do Sudeste. Contudo, as autoridades de Kiev apenas apresentam ultimatos exigindo que os milicianos deponham as armas. Mas a linguagem dos ultimatos na atual situação não é admissível, diz o presidente russo:
“É natural que as pessoas que pegaram em armas para se defender, suas vidas e sua dignidade, não irão aceitar essas condições. A que ponto chegámos hoje? Os povoados e cidades estão cercados pelo exército ucraniano que ataca bairros de habitação com o objetivo de destruir suas infraestruturas e reprimir a vontade dos que resistem. Por muito triste que seja, isso me recorda os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial, quando os invasores nazistas alemães cercavam nossas cidades como Leningrado, por exemplo, e faziam fogo direto sobre localidades e seus habitantes.”
Nos últimos dias a situação mudou radicalmente. O exército da Novorossiya iniciou a ofensiva, unidades do exército ucraniano ficaram cercadas em várias bolsas. Kiev e o Ocidente voltaram a tocar a velha canção sobre “a invasão da Ucrânia por tropas russas”, porque não querem falar sobre as verdadeiras causas dessa derrota. De resto, a posição do Ocidente causa perplexidade, continuou Vladimir Putin:
“Eu posso entender as milícias da bacia do Don. Porque chamam eles essa operação de “militar-humanitária”? Qual é o objetivo das atuais operações? Desviar das grandes cidades a artilharia e os lançadores múltiplos de foguetes para que eles não possam matar pessoas. Mas o que ouvimos nós dos parceiros ocidentais? Que eles não devem fazer isso. Que eles devem se deixar destroçar e matar, nesse caso eles já serão bons? A posição dos nossos parceiros se resume a isto: devemos deixar as autoridades ucranianas disparar um pouco – pode ser que eles restabeleçam a ordem rapidamente.”
Já passou tempo suficiente desde o início do confronto entre Kiev e companhia e as regiões da bacia do Don. Os “tutores” ocidentais têm de sentar seus protegidos à mesa das negociações, diz o chefe de Estado russo:
“Se deve obrigar as autoridades ucranianas a iniciar negociações concretas. Não sobre os aspetos técnicos, o que também é extremamente importante. Mas sobre o essencial: perceber quais serão os futuros direitos do povo da bacia do Don, de Lugansk e de todo o Sudeste do país. Dentro das normas civilizadas modernas deverão ser formulados os direitos legítimos e garantidos os legítimos interesses dessas pessoas. É sobre isso que se deve falar, e só depois é que se deve decidir as questões de fronteiras e de segurança. É importante negociar o essencial. Mas eles não querem conversar e esse é o problema.”
Para evitar baixas desnecessárias, o presidente da Rússia apelou aos milicianos da bacia do Don para que seja aberto um corredor para os militares ucranianos cercados. Os dirigentes da Novorossiya concordaram. Já as decisões dos generais de Kiev voltaram a surpreender, explicou Vladimir Putin:
“Eu vi a reação das mães, esposas e a reação dos militares que ficaram cercados. Para eles isto também é uma tragédia. Foi por isso que dirigi às milícias da bacia do Don o pedido para abrirem corredores humanitários, para que as pessoas possam sair. Eles já lá se encontram há vários dias sem comida e sem água, suas munições acabaram. A última informação é a seguinte: o comando do exército ucraniano decidiu não deixar sair ninguém do cerco, está empreendendo tentativas de afastar as forças milicianas e combater até sair. Eu penso que isso é um erro colossal que irá provocar grande perda de vidas.”
Os acontecimentos da Ucrânia são uma tragédia. Não é apenas uma tragédia para todos os habitantes do país, independentemente de eles viverem no ocidente ou no leste do país. Esta também é uma tragédia dos russos. Pois os russos e os ucranianos são praticamente o mesmo povo, disse o presidente. É preciso fazer todos os possíveis para que o derramamento de sangue em terras ucranianas cesse rapidamente.

sexta-feira, 29 de Agosto de 2014

Altos quadros do MDM tentaram pagar as FADM para matar Dhlakama


Segundo dados em poder do MTQ, altos quadros do MDM incluindo o respectivo líder, Daviz Simango, tentaram influenciar os acontecimentos na Serra da Gorongosa, para que as FADM matassem o líder da Renamo, Afonso Dhlakama. Acreditava-se que com Dhlakama morto, o MDM ia liderar a oposição, aglutinando alguns resíduos da Renamo, enquanto a culpa pelo assassinato do presidente da perdiz estaria a recair ao presidente Guebuza e a manchar a Frelimo junto da opinião pública nacional e internacional. Para a execução do plano, tinham sido colocados cerca de 1.500,000,00 Mts numa primeira fase. Para não criar suspeitas, seriam passados três cheques de 500.000,00 Mts cada. O MTQ sabe que o primeiro cheque chegou mesmo a ser passado. Na segunda fase, haveria de se pagar outros 1.500,000,00Mts e as chefias encarregues da operação, uma vez vencidas as eleições, seriam promovidas para cargos de relevo. O plano falhou alvo porque os homens indicados para o efeito – entenda-se, altas chefias militares das FADM – recusaram-se a cair no incumprimento das ordens do comandante em Chefe, Armando Emílio Guebuza, segundo as quais “Dhlakama tinha que estar vivo, a todo o custo”.

quinta-feira, 28 de Agosto de 2014

Mãe de jornalista sequestrado faz apelo ao “Estado Islâmico”

 

28/8/2014 10:54
Por Redação, com DW - de Washington, EUA

Em vídeo, mãe pede misericórdia e pela vida do filho, visto pela última vez na Síria
Em vídeo, mãe pede misericórdia e pela vida do filho, visto pela última vez na Síria
A mãe de um jornalista norte-americano sequestrado na Síria suplicou pela vida de seu filho num vídeo direcionado ao chamado “Estado Islâmico” (EI). O apelo transmitido pela TV nesta quarta-feira foi feito depois que os jihadistas ameaçaram matar o repórter, caso os EUA não suspendessem os ataques aéreos contra o grupo no Iraque. A ameaça de morte foi feita no mesmo vídeo que mostrou a decapitação do também jornalista norte-americano James Foley, divulgado na semana passada.
Em seu apelo emocional, Shirley Sotloff, mãe do jornalista tomado como refém, afirma que seu filho Steven, de 31 anos, é “um jornalista inocente” e que não deve pagar pelas ações do governo dos Estados Unidos no Oriente Médio. “Como mãe, peço misericórdia e que meu filho não seja punido por questões sobre as quais ele não tem controle.”
- Eu sempre ouvi que o senhor, o califa, pode conceder misericórdia. Eu lhe peço, por favor, para libertar o meu filho. Peço que use sua autoridade para poupar a vida dele – diz a mãe, dirigindo-se diretamente a Abu Bakr al-Baghdadi, líder do “Estado Islâmico”. O vídeo foi ao ar pela primeira vez na emissora Al-Arabiya e, em seguida, foi replicado na Internet.
Steven Sotloff foi visto pela última vez na Síria, em agosto de 2013
Steven Sotloff foi visto pela última vez na Síria, em agosto de 2013
Steven Sotloff havia desaparecido em agosto de 2013 enquanto cobria acontecimentos na Síria, como freelancer para as revistasTime e Foreign Policy. Seu sequestro só ganhou destaque na mídia na semana passada, quando apareceu no vídeo que mostrava a decapitação do colega James Foley. Na gravação, um homem mascarado corta a cabeça de Foley, e, então exibe Sotloff, avisando que ele terá o mesmo destino que seu colega, caso o presidente americano, Barack Obama, não interrompa os ataques conta o grupo.
O apelo de Shirley Sotloff provocou reações em Washington. “Como fica evidente no vídeo, ela está obviamente desesperada pela segurança e bem-estar de seu filho, o que é compreensível, e é por isso que nossos pensamentos e orações estão com a família da senhora Sotloff neste momento tão difícil e desafiador”, disse o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest.
O porta-voz disse não saber se o presidente chegou a ver o vídeo, mas afirmou que o governo está “extremamente engajado” na libertação de todos os americanos que são mantidos atualmente reféns no Oriente Médio.
Enquanto isso, novas imagens de execuções em massa conduzidas pelos jihadistas foram divulgadas. As fotos mostram a tomada de uma base aérea estratégica na Síria no último domingo, e mostram o fuzilamento de sete homens, alguns vestindo o que parece ser o uniforme militar sírio, por militantes com os rostos cobertos.
Os métodos violentos usados pelo EI para aterrorizar oponentes levaram uma comissão da ONU (Organização das Nações Unidas) a acusar o grupo de praticar crimes contra a humanidade na Síria. “Isso é uma continuação, e uma expansão geográfica, do ataque sistemático e generalizado contra civis”, afirmou a comissão, liderada pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro. Segundo o diplomata, uma das descobertas mais chocantes foi a existência de imensos campos de treinamentos onde garotos, alguns com apenas 14 anos, eram recrutados para lutar ao lado de adultos do EI.

Jatinho pago até por peixaria falsa complica campanha de Marina

 

28/8/2014 15:28
Por Redação - de Brasília e São Paulo

Marina disse, a jornalistas, que não sabia da existência de crime eleitoral quanto ao uso da aeronave que caiu
Marina disse, a jornalistas, que não sabia da existência de crime eleitoral quanto ao uso da aeronave que caiu
A subida vertiginosa que a presidenciável Marina Silva (PSB) experimenta nas pesquisas de intenção de votos corre o risco de se reverter em uma queda acentuada, a partir das novas investigações da Polícia Federal (PF) sobre o possível uso de recursos do caixa dois para o pagamento das despesas com o avião que caiu em Santos, no litoral paulista, há duas semanas. Durante uma operação de busca e apreensão, a Polícia Civil de Pernambuco, que trabalha em conjunto com a PF, encontrou na sede da empresa AF Andrade um documento que aponta o PSB como locatário do jato Cessna Citation, sem uma declaração explícita, o que pode ser caracterizado como um crime.
O grupo diz ter vendido o avião que caiu com a comitiva de Eduardo Campos (PSB), no último dia 13. No entanto, constaria nos papéis apreendidos que os empresários pernambucanos pagaram cerca de R$ 700 mil pela aeronave, antes mesmo de assinar qualquer contrato. O sinal foi garantido em 12 de maio e o compromisso de compra assinado três dias depois, por João Lyra de Melo Filho. A polícia considera manobra incomum numa transação comercial de R$ 18,5 milhões, o preço final da aeronave. O PSB alega que o jatinho foi cedido por três empresários e que ele seria declarado ao final da campanha, mas o grupo Andrade está em recuperação judicial, com dívidas de R$ 341 milhões. O advogado do grupo, Celso Vilardi, diz que a suspeita da polícia é improcedente e que já entregou os comprovantes da legalidade do negócio para a PF, que também investiga o caso.
Quanto mais a polícia investiga, no entanto, mais complicada fica a situação da candidata, que teve divulgada, nesta manhã, as primeiras imagens que a conectam ao jato PR-AFA. Embora Marina Silva tenha declarado publicamente, a um jornal televisivo noturno, que não sabia de nenhum detalhe sobre o transação da aeronave que utilizava em suas viagens, pela campanha eleitoral, a alegação não a isenta de responsabilidade sobre quaisquer irregularidades sobre o equipamento. Uma operação financeira duvidosa foi montada, com o uso de ‘laranjas’, e o principal pagamento partiu do empresário pernambucano Eduardo Ventola, dono de uma factoring, tipo de empresa normalmente usada para ‘esquentar’ dinheiro de caixa dois.
Marina desembarca do avião que, dias depois, cairia no litoral paulista, matando o ex-governador Eduardo Campos
Marina desembarca do avião que, dias depois, cairia no litoral paulista, matando o ex-governador Eduardo Campos
Aos jornalistas, ainda que a contragosto, Marina confessou o conhecimento de um crime eleitoral e a participação nos benefícios desta transgressão. Ela admitiu saber que o avião era produto de um “empréstimo de boca” que seria “ressarcido” ao final da campanha. Trata-se, no caso, de uma aberração jurídica e contábil, que os tribunais tendem a questionar no controle de contas eleitorais. Não há um contrato sobre o citado empréstimo irregular, preço estabelecido e, sobretudo, as empresas que detinham o controle do avião, entre elas uma peixaria de fachada, que não funciona, na prática, não se dedicam à locação de transporte aéreo.
‘Dois pesos’
O deputado federal André Vargas (sem partido-PR), processado por utilizar um avião que teve o aluguel pago por um doleiro, acredita que há dois pesos e duas medidas quando o compara a outras atividades irregulares na política. Desta vez, o parlamentar, que teve sua cassação pedida pelo colega Júlio Delgado (PSB-MG) no Conselho de Ética da Câmara por ter tomado emprestado o avião do doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato, vê diferença de tratamento entre o episódio vivenciado por ele e o do jato do PSB. O partido de Delgado, relator de seu processo de cassação na Câmara, usava desde maio um avião adquirido por recursos de caixa dois, pago por empresas fantasmas.
Além da peixaria falsa, outra empresa que assumiu a compra da aeronave, a Bandeirantes Pneus, importava pneus chineses, causava danos ambientais e chegou a ser favorecida por benefícios fiscais pelo ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB). A queda do Cessna Citation no litoral paulista trouxe o escândalo à tona.
Diante do que considera “uma hipocrisia”, Vargas protestou:
– Júlio Delgado pediu minha cassação por um voo. Agora podia explicar por que seu partido usava um avião de empresas fantasmas.
Em entrevista ao diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo, no início de agosto, ele lembrou de outro caso: a construção de um aeroporto pelo presidenciável Aécio Neves em terras que pertenciam a sua família quando era governador de Minas Gerais. E constatou:
– Se Aécio fosse do PT, já teriam pedido cassação.

Eduardo Campos e as eleições: a conveniência da tragédia

 

20/8/2014 15:03
Por Maurício Abdalla - do Espirito Santo

A morte trágica e inesperada do candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, modifica as peças do cenário eleitoral
A morte trágica e inesperada do candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, modifica as peças do cenário eleitoral
Quando um acontecimento aparentemente ao acaso modifica a história de uma maneira perfeitamente coerente com certos interesses cuja probabilidade de satisfação era dada como mínima, a tendência é atribuí-lo a uma causa planejada. Seja a mão de Deus, a força de um destino predeterminado ou uma conspiração urdida pelos beneficiários do fato, as possíveis causas desconhecidas do evento liberam várias espécies de especulação, todas concorrendo com a hipótese do simples acaso.
A morte trágica e inesperada do candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, modifica as peças do cenário eleitoral de uma forma totalmente adequada aos interesses de quem não queria a continuidade das atuais forças que ocupam o Palácio do Planalto. Independentemente da avaliação que se tenha do Governo PT/PMDB, é fato que ele foi alvo de diversas tentativas que visavam impedir a reeleição da presidente Dilma Rousseff. A cultura sociopolítica da elite brasileira não exige muito para que um grupo social seja execrado. Mesmo propositores de mudanças sociais dentro do capitalismo são repelidos como perigosos perturbadores da ordem – que o digam os antigos abolicionistas, os defensores da CLT, os ambientalistas e ativistas dos direitos humanos.
Dentre essas tentativas, o espetáculo midiático montado sobre o julgamento do “mensalão” e a colagem do conceito de corrupção a um único partido, o PT, foram as que mais causaram estragos – até porque tinha uma base real a ser explorada. Mas não foram suficientes para reduzir o índice de aprovação do Governo e das intenções de voto em Dilma nas pesquisas.
O intento de canalizar as manifestações de junho e julho de 2013 em uma espécie de “fora Dilma” não obteve sucesso. A tragédia anunciada e não ocorrida da realização da Copa do Mundo, os problemas da Petrobrás, a polêmica da estranha modificação de perfis de jornalistas feitas por computadores do Palácio, facilmente rastreáveis, os ataques ao baixo desempenho da economia etc., só serviram para atiçar e espalhar um pouco mais o ódio já presente em setores da classe média com relação ao Governo, mas tampouco abalaram a perspectiva de reeleição.
Os boatos de baixo nível, como os que se dirigiam ao filho do ex-presidente Lula, o anúncio de um “golpe comunista” (ou de que vivemos já em uma “ditadura comunista”), a hipótese de que os médicos cubanos e os imigrantes haitianos são guerrilheiros disfarçados, ou de que o Brasil financia o governo de Cuba são tentativas despolitizadas e servem apenas para perturbar as mentes sem muito contato com o mundo real da política. Espalham-se pelas redes sociais virtuais, mas não atingem os debates políticos sérios.
Nesse movimento, que tem a mídia corporativa na vanguarda, há outros agentes atuando. O Banco Santander tentou uma chantagem financeira com seus clientes, advertindo para os riscos de um cenário de reeleição da presidente. Uma empresa de análise de investimentos chamada “Empiricus” apostou na propaganda paga na Internet e espalhou pela rede os riscos ao patrimônio em caso de reeleição de Dilma.
Somada a essas tentativas, que atuam pela negação, vinha a ação positiva pela aposta em uma candidatura de oposição, antes concentrada no candidato do PSDB, Aécio Neves. Nenhum escândalo do PSDB foi tratado como espetáculo de corrupção pelos principais meios de comunicação. “Mensalão tucano”, caso do metrô, fraudes nas privatizações, aeroporto no interior de Minas e o caso mais grave da cocaína dos Perrela (amigos de Aécio), todos esses eram temas proibidos ou tratados com cuidado cirúrgico nas editorias de política das grandes empresas de comunicação.
Nada, porém, parecia funcionar. A oposição dividia os baixos percentuais de intenção de voto entre Aécio e Eduardo Campos, deixando aberta a possibilidade de uma vitória de Dilma no primeiro turno. A oposição de esquerda não conseguiu fazer seus candidatos aparecerem como alternativas. Marina Silva, coringa das últimas eleições presidenciais e promessa de arregimentação de votos dos indignados com “tudo que está aí”, só pôde figurar como vice do candidato do PSB, pois não conseguiu registro de seu novo partido.
O maior problema era que a situação era sustentável. Nada parecia mudar o quadro. O resultado das próximas eleições, a continuar a inércia da situação, deixaria os videntes sem função. Se uma coisa bem grande não acontecesse, tudo era só uma questão de tempo.
E eis que a coisa grande aconteceu. O acidente aéreo do dia 13 de agosto, além de tirar a vida de várias pessoas, subtraiu o sono dos coordenadores da campanha de Dilma e retirou o tubo de alimentação da campanha estagnada do candidato tucano. E, de gorjeta, ainda forneceu combustível para as ilações dos boateiros de redes sociais que, sem nenhuma lógica imaginável, trataram o acidente como um atentado perpetrado por “Dilma e o PT”.
A coringa Marina Silva galga à condição que era pretendida desde o início e pra a qual estava reservada desde a última eleição presidencial. O baixo percentual de intenções de voto em uma das candidaturas de oposição, a do PSB, salta de oito para 20%, alimentado também pela comoção novelística da mídia que transformou Eduardo Campos de candidato inexpressivo no “maior político da história brasileira” em poucas horas. A candidata acreana seria, além da esperança dos desacreditados, a herdeira dos ideais sublimes do político pernambucano.
As forças socioeconômicas e midiáticas de oposição ao Governo parecem estar em revoada, abandonando a mata seca de Aécio para alimentar-se na verdejante floresta de Marina. Para elas, agora há esperança. Dilma que se cuide. Já a candidatura tucana falecerá como efeito retardado da queda do Cessna 560 XL.
Esse é mais um caso de tragédia na história que, de tão conveniente para certos grupos, faz brotar sorrisos escondidos sob as lágrimas de pêsames. Uma nova corrida presidencial, com um cenário totalmente diverso, começou no dia 13 de agosto.
Maurício Abdalla, é catedrático brasileiro. Membro do Movimento Fé e Política, professor de filosofia da Universidade Federal do Espírito Santo. Autor de “O princípio da cooperação” (Paulus) e “La crisis latente del darwinismo” (Cauac), dentre outros.

Analistas e conselheiros de Marina Silva

 

25/8/2014 14:53
Por Nei Alberto Pies - de São Paulo


Marina Silva
Marina Silva
Acompanho, com certo interesse, os desdobramentos políticos após a morte trágica do presidencial Eduardo Campos e as implicações da principal envolvida na sucessão dos fatos: Marina Silva. Ela não é minha candidata a presidente, mas considero muito a sua importância na conjuntura atual da política brasileira.
Muitos analistas e conselheiros homens, neste momento, desejam compartilhar pontos de vista que possam influenciá-la, embora suas decisões ainda tenham de passar pelo crivo e aprovação do partido a qual hoje pertence: o PSB. Sou mais um homem que gostaria que meu ponto de vista chegasse a seus ouvidos. Eu lhe diria: “Marina, siga a tua intuição de mulher e de mulher militante. Ouça a todos, mas na dúvida, aconselhe-se com outras mulheres”.
Nós, homens, temos uma estranha mania de “querer dizer às mulheres o que elas devem fazer, sobretudo na seara da política e da ocupação dos espaços públicos”. Penso que as mulheres devem libertar-se desta nossa imposição e autogovernar-se, vivenciando seus jeitos e trejeitos de fazer a vida e a política. Caso contrário, continuarão sempre exercendo papel de coadjuvantes, quando seu papel deve ser de protagonistas.
Boa sorte, Marina. O seu futuro político está em suas mãos. Se for o caso, mude de ideias, mas não abra mão de seus princípios e da sua intuição feminina. As suas decisões podem encorajar e incentivar outras mulheres do Brasil a serem elas mesmas.
Nei Alberto Pies, é professor e ativista de direitos humanos.

As Baleias do Vigário, ou: Como por no Lixo um Santuário

 

28/8/2014 14:13
Por José Truda Palazzo - de Brasília

O Brasil vem tentando aprovar na Comissão Internacional da Baleia a proposta de um Santuário de Baleias para o Atlântico Sul
O Brasil vem tentando aprovar na Comissão Internacional da Baleia a proposta de um Santuário de Baleias para o Atlântico Sul
A área ambiental do atual (des)governo Dilma não está imune ao padrão que caracteriza de maneira indelével a atual gestão: fazer a máquina da mídia estatal contar mentiras com tanto triunfalismo que até gente boa acredita ser verdade. É assim que uma gestão que nada relevante fez pela conservação das espécies ameaçadas de grandes baleias tem a cara de pau de colocar na rua uma matéria como a publicada pelo Ministério do Meio Ambiente na última semana, intitulada Países Propõem Plano de Gestão para Santuário de Baleias, tão mentirosa que (a) não há “países”, (b) não há proposta de Plano de Gestão, e (c) não há Santuário. Passo a explicar, porque está é apenas a gota d´água do manejo ao mesmo tempo incompetente e de má-fé deste assunto, em que o nada fazer vira propaganda de avanços significativos que simplesmente não existem senão como invencionice eleitoreira engendrada por burocratas irresponsáveis e seus cúmplices – sempre os há – no meio acadêmico que parasita os gabinetes de Brasília em busca de migalhas para seus projetos pessoais.
Há bem mais de uma década, o Brasil vem tentando aprovar na Comissão Internacional da Baleia a proposta de um Santuário de Baleias para o Atlântico Sul, como forma de complementar a proteção oferecida, desde 1994, pelo Santuário do Oceano Austral. Apesar de o Japão ter até o ano passado continuado a matar baleias neste Santuário, sob o falso pretexto de “pesquisa”, uma decisão recente da Corte Internacional de Justiça ordenando aos japoneses a suspensão da matança reforçou a importância dos Santuários da CIB como ferramenta para afastar a caça comercial de baleias de regiões inteiras.
Para que uma proposta como essa seja aprovada, é preciso seguir alguns ritos da anacrônica e emperrada Comissão, dentre eles a apresentação de uma proposta formal ao Comitê Científico, o que foi feito sucessivamente pelo Brasil e seus países aliados (em particular a Argentina) em anos passados. Em 2005, fui encarregado de coordenar a revisão desse documento, que contou com a participação de pesquisadores de cinco países e constituiu a base para a campanha em favor da proposta desde então.
Por melhor que seja a proposta, entretanto, ela não será aprovada sem um trabalho diplomático e político muito vigoroso e que precisa chegar aos mais altos níveis de governo, pela simples razão que o Japão detém, através de ameaças e propinas notórias, um bloco de “países-marionetes” na CIB – incluindo algumas das economias mais pobres e vulneráveis da África, Caribe e Pacífico – uma minoria capaz de bloquear os ¾ de votos exigidos pela Comissão para aprovar uma medida dessa envergadura.
Verdade seja dita, os governantes brasileiros nunca priorizaram a atuação na CIB ou a proposta do Santuário a ponto de fazer todas as gestões necessárias para sua aprovação. Mesmo assim, um trabalho diligente do pessoal de base do Ministério das Relações Exteriores, que tinha no embaixador Marcos Vinicius Pinta Gama nosso Comissário para o tema, apoiado pelas ONGs brasileiras e latino-americanas, fez com que chegássemos a 65% dos 75% necessários para a aprovação, em 2012. Era o momento de vitaminar politicamente a proposta, fazer as gestões necessárias, e correr para festejar o gol.
De lá para cá, a coisa desandou, graças em grande parte ao absurdo descaso e à incompetência do Ministério do Meio Ambiente. Em reunião realizada no Itamaraty há pouco mais de dois anos, justamente para delinear estratégias para lograr a aprovação do Santuário, o representante do MMA prometeu mundos e fundos; entre outras coisas, revisar a proposta técnica do Santuário, e engajar o Ministério em uma vigorosa campanha internacional pela proposta.
A revisão técnica criteriosa do documento simplesmente não aconteceu. Estourados todos os prazos para apresentar a revisão este ano ao Comitê Científico da CIB, o MMA fez uma gambiarra no estilo copiar-colar sobre o nosso documento de 2005, ajudando a alimentar as críticas do Japão à proposta. Em março passado, o Instituto Baleia Jubarte organizou com apoio da Petrobras um Seminário Internacional sobre a proposta, para o qual se conseguiu trazer um número expressivo de delegações da África e Caribe com a intenção explícita de angariar mais apoio para o Santuário. Mais uma vez o MMA fez figuração e muito estardalhaço, e a Ministra prometeu, de novo, mundos e fundos, inclusive acenando com sua participação pessoal na próxima Plenária da CIB, em setembro.
Depois desse evento, nada foi feito de útil: preferiram nossos burocratas partidários aproveitar o interregno para “festejar” no plano doméstico, com mais releases triunfalistas, a mudança de status de ameaça da baleia jubarte, para o que, todos sabemos, o regime atual não contribuiu em nada, pelo contrário recusando-se categoricamente a ampliar a proteção do Banco dos Abrolhos, área essencial para a reprodução da espécie no Atlântico Sul.
A realidade, a meras três semanas dessa Plenária que decidirá sobre a proposta do Santuário do Atlântico Sul? O Brasil não apenas não fez seu dever de casa político, ou seja, as gestões de alto nível com os demais governos para assegurar os votos necessários foram esquecidas; o eficiente Comissário brasileiro Pinta Gama foi deslocado para servir como nosso Embaixador na Suécia, deixando acéfala nossa representação; e no momento em que escrevo sequer o Brasil pagou sua cota anual à CIB, estando ameaçado de não poder votar na própria proposta!!!
Em meio a esse verdadeiro caos é que o MMA decide gastar tempo e dinheiro em uma pirotecnia não apenas inútil como daninha. A reunião improvisada em Brasília para gerar o release mencionado no início deste texto e fazer cortina de fumaça para sua inação e incapacidade de atuar estrategicamente na CIB reuniu “pesquisadores” em sua maioria desconectados totalmente da atuação brasileira pelo Santuário, mas dóceis à manipulação stalinista do regime, e mais um ambientalista não-governamental uruguaio de respeito, o biólogo Rodrigo Garcia, que estava a passeio na Praia do Forte e foi engambelado para ser usado como pretexto de dizer que “países apoiarão” uma ação do Brasil. E o tal Plano de Gestão mencionado NÃO foi elaborado na reunião. Pior, a Argentina, parceiro vital da proposta, não foi convidada a tempo, o que dizem ter deixado irritadíssimos os habitualmente discretos diplomatas do país vizinho. Ou seja, estamos diante de uma completa e deslavada enganação, enquanto as ações realmente necessárias à aprovação do Santuário simplesmente não acontecem, por absoluta falta de priorização na agenda do atual (des)governo.
O Brasil irá à Plenária da CIB em Setembro totalmente despreparado para defender a proposta do Santuário de Baleias do Atlântico Sul, e é praticamente certo que ela não seja aprovada. Os 65% de votos da última tentativa dificilmente serão alcançados em uma nova votação se não houver um imenso esforço de última hora, que parece impossível dado esse estado de coisas em que talvez nem nós mesmos tenhamos direito a voto. O que nos resta diante de tanto descalabro? Ao menos não deixar passar em branco, e aprender a não confiar nos releases estatais de meio ambiente desse regime que nos assola e que agora está por enterrar nossa atuação na última área internacional ambiental onde ainda tínhamos alguma credibilidade.
é consultor em meio ambiente, ex-Vice-Comissário do Brasil e ex-Chefe da Delegação Científica brasileira junto à Comissão Internacional da Baleia.



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