sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Sérgio Vieira: Sobre expectativas

Sobre expectativas

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CARTA A MUITOS AMIGOS
Todos aguardamos com esperança este novo ano de 2016. Esperança, sim, mas também apreensão e com razões para tal. No país, na região, em África e no mundo reina muita instabilidade, desde a financeira até à segurança da vida e dos bens das pessoas, guerras aqui e acolá, terrorismo à solta, incluindo em países não longe do nosso.
Não duvido que cada um e todos almejem Paz, saúde, melhoria do seu poder de compra e nível de vida, desejos que se estendem ao que esperamos para Moçambique, a África e o mundo. Com certeza que todos acrescentaríamos menos arrogância, menos estupidez, mais honestidade e eficiência.
Começando por casa confesso que não percebi como um Zé-ninguém, reclame a substituição dos mediadores actuais do processo de paz, pelo Chefe do Estado da África do Sul e a Igreja Católica.
Se Zuma aceitasse, com certeza designaria para tal um representante para o trabalho porque obviamente não pode perder dias consecutivos a escutar sandices.
A triste experiência da EMOCHIN a todos ensinou o significado da pura perda de tempo, dinheiro e porque não, paciência.
A Igreja Católica? Quem? O Papa, um enviado do Vaticano? Um bispo nacional favorável ao nossotroca-tintas? Um estrangeiro que nada conhece da História vivida por Moçambique?
De onde vieram essas ideias peregrinas, quem lhe segredou? Na sua proposta não manifesta falta de confiança, indiferença, desrespeito e até desprezo pelos islamitas (a confissão com mais crentes em Moçambique) e as demais igrejas cristãs?
Claro que todos aspiram à paz, a poderem trabalhar tranquilamente, irem à machamba, à escola, ao hospital, à vila ou cidade. Circularem calmamente e sem terror do sem terror do Rovuma ao Maputo.
Mas o preço disso jamais incluirá a divisão do país, o fim da unidade nacional, o atropelo da Constituição e do Estado, dos valores que asseguram a moçambicanidade e o progresso, as liberdades e direitos do cidadão.
Não se capitula perante uma criatura do colonialismo, Orlando Cristina, da Rodésia e apartheid, tornado órfão com a vitória do ANC. Quer governar tomando o poder à força porque consecutivamente perde eleições controladas pelas mais diversas organizações internacionais que, notando erros aqui e acolá, declararam que globalmente os resultados estavam certos e justo?
Desejo ardentemente que se ponha termo a gastos faraónicos, projectos mal pensados e pessimamente organizados que só acarretam dívidas para o país e atingem, por isso mesmo, o cidadão comum, o trabalhador, funcionário, empregado, professor, pessoal médico.
Em vez de um metro ligando a Matola a Maputo não sai muito mais barato aumentar a frequência de comboios e automotoras?
Não podemos revitalizar a Cometal Mometal que fabricava carruagens? Que dizer da MABORabandonada?
Ganharam os sul-africanos e perdeu Moçambique que produzia pneus de muita qualidade e que ganharam prémios pelo mundo fora! Vendíamos carruagens, até para a África do Sul.
Mataram-se empresas de ponta para satisfazer os afilhados e meninos bonitos de Bretton Woods. Ainda no tempo do apartheid, está tudo bem claro? Havia que esmagar o mau exemplo de Moçambique, como se procurou derrubar o Estado angolano.
Queremos pescar, sim precisamos, mas antes de adquirir barcos não se formam e treinam tripulações, não se verifica se as embarcações respondem às condições do Canal de Moçambiquee do Oceano Índico?
Ao construirmos pontes ligando as duas margens de grandes rios, apenas pensamos na circulação rodoviária e jamais em combinar esta com a ferroviária?
Ao edificarmos habitações e torres em zonas pantanosas, pensamos na segurança dos utentes, no estacionamento não apenas de moradores, mas também de quem para lá necessita de se deslocar?
Mais, como socorrermos se há um incêndio? Mesmo em Maputo quantos carros de bombeiros devidamente equipados? Fora de Maputo cruzamos os braços diante de casas, armazéns e fábricas a arderem? Do Rovuma ao Maputo há no total menos equipamentos e homens que numa só corporação duma cidade normal.
O que vai substituir os eucaliptos dizimados na baixa? Os pântanos? As águas deixaram de buscar caminhos para as zonas baixas e o mar? Por decisão de quem? Das negociatas e edis, deputados e outras entidades? As águas obedecem?
Deveremos passivamente esperar testemunhar o ruir de zonas da cidade, de prédios? Depois declararemos que se trata de uma calamidade. Sim, Calamidade bem organizada pelas edilidades, que pensaram mais em comissões que no dever de servir quem os elegeu.
Nos bairros, onde irão as crianças aprender a patinar, encestar a bola no aro, praticar atletismo, futebol? Onde estão os jardins e parques para as crianças brincarem e se divertirem com segurança? Constitui a rua a alternativa proposta pelos municípios? Quem pensa nas flores que nunca murcham? Os especuladores de terrenos e os que lavam dinheiros pouco ou nada se preocupam com elas.
Como todos esperam, queremos um atendimento mais profissional, mais pontual, mais sério nos serviços públicos pagos pelos nossos impostos.
Não desejamos continuar a ouvir que se perderam documentos, que estes não foram despachados porque houve infelicidade, ainda não se tomou cháo chefe tem estado em reunião e mil outras justificações para não se servir o público com respeito, pontualidade, eficiência.
A incompetência pune-se, ensinava o Presidente Samora. Agora louvamos?
Que o novo ano não nos traga mais derrapagens do metical, mais esboroar o nosso poder de compra. Que o preço dos my love chapas não suba com preço do combustível que baixa em toda a parte, aqui, com o fim do subsídio para o combustível algo pode acontecer. O preço do pão estabilizará, quando compramos o trigo fora do país e Tsangano Milanje por exemplo vendem trigo ao Malawi, por falta de demanda nacional?
Como estarão os nossos salários e poder de compra neste ano que já se anuncia algo tenebroso, pesem as boas medidas levadas a cabo pelo Banco de Moçambique e pelas Finanças. Há propinas, fardas, tratamentos e o que sei que deveremos encarar!
Voto para que tudo corra pelo melhor para o bem de todos.
P.S. Quando no primeiro dia do ano de 2016 se decapitaram 47 pessoas num só país e logo a seguir mais quatro, um verdadeiro recorde para um Estado, deveremos além dos habituais terroristas acrescentarmos regimes terroristas? Houve até governos na região que aprovaram, como medida eficaz contra os terroristas.
Nos países do Golfo apenas se condenou o incêndio da embaixada de Riade em Teerão por uma turba indignada. Há a Convenção de Genebra, mas existem regras humanitárias e os 67 culpados do incêndio vão a tribunal.
Pelo menos desta vez Washington censurou o acto, mas bem timidamente.
Que reacções provocaram estas mortandades junto das inúmeras ONG que dizem bater-se pelos direitos humanos?
Honremos os mortos e condenemos os carrascos!
SV

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